Seguidores

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A ORIGEM DO CORDEL
 
*
 
Foi na oralidade
Que brotou nosso cordel
Na voz do cantador
Rapsodo, menestrel
Do semi-árido nordestino
Do  casebre campesino
Ao salão do coronel. 

Surgem as tipografias
Com um trabalho de artesão
Leandro Gomes de Barros
Faz a primeira impressão
Começa a literatura
De tradição e cultura
Com os motivos do sertão.

Mas a viola não parou
De tocar o seu baião
Acompanhando os cantadores
Nos confins do meu sertão
E o poeta de bancada
Fez da caneta espingarda
Defendendo  tradição.

No Brasil da ignorância
O cordel foi a  salvação
Divertiu e informou
E orientou  o cidadão
Muito humilde e explorado
Quase sempre castigado
Pelas secas do sertão.

As mulheres no cordel
Sempre fizeram bonito
Xica  Barroso e Tabana
Hoje cantão no infinito.
Mas Mocinha de Passira
Como uma agulha de safira
Vai ampliando seu grito.

Em nossa academia
No palco ou no plenário
Tem a Madrinha Mena
Tem a  Dalinha e a Rosário
Trabalhando noite e dia
No mundo da poesia
Sem troféu e sem salário.

Neste instante eu apelo
As elites da nação
A cultura de raiz
Merece mais atenção
Porque a mídia é só consumo
Não tem esquadro nem prumo
Para erguer um cidadão.

Nosso cordel tem assunto
Pra qualquer academia
Seja na literatura
Ou na antropologia
Costumes e tradições
Coronéis e lampiões
Eu deixo pra sociologia.

O encontro de poetas
E rodas de cantoria
É um projeto do Fernando
Com sua sabedoria
Ele traçou os itinerários
Convidou os operários
Das sendas da poesia.

Autor: IVAMBERTO
RIO DE JANEIRO
12-03-2011.
Visite também: www.cantinhodadalinha.blogspot.com
www.rosáriocordel.blogspot.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário